Alguém te manda um PSD e pede para você “dar uma olhada”. Você dá dois cliques e nada de útil acontece, ou algo abre e mostra uma imagem plana sem nenhuma das partes que a pessoa descrevia. A confusão vem de um erro de categoria: um PSD não é propriamente um arquivo de imagem.
PSD é a sigla de Photoshop Document. Um JPG ou PNG contém uma grade de pixels — a imagem pronta. Um PSD contém a construção de uma imagem: cada camada separada, as máscaras que escondem partes delas, os ajustes aplicados por cima, o texto ainda editável como texto.
A diferença importa na prática. Abra o JPG de um cartaz e você edita pixels. Abra o PSD e você pode mudar o texto do título, mover a fotografia atrás dele, desligar a correção de cor e colocar o logotipo em outro lugar — porque nada disso foi mesclado.
Esse último item explica a experiência comum de abrir um PSD e ver o design pronto, mas nenhuma estrutura. Você está vendo a prévia.
Um JPG guarda uma imagem. Um PSD guarda cada camada em tamanho cheio, mais as máscaras, mais a prévia achatada. Um cartaz com trinta camadas é mais ou menos trinta imagens num arquivo.
Existe compressão, mas é sem perdas e, portanto, modesta; e objetos inteligentes pioram isso de um jeito útil — um original embutido é carregado em resolução cheia para continuar redimensionável, que é justamente a ideia, e custa o que custa.
Um PSD de trabalho com centenas de megabytes não tem nada de estranho. O formato para em 2 GB; acima disso o Photoshop usa PSB, a variante de “documento grande” — a mesma ideia sem esse teto.
Vários programas leem PSD, com uma ressalva importante: quanto sobrevive depende de quem lê. Camadas e máscaras costumam ser interpretadas. Objetos inteligentes, tipos de ajuste mais novos e texto com fontes que você não tem são onde a coisa degrada — texto em especial tende a chegar como pixels ou com tipografia substituta.
Se você só precisa ver o design, o caminho mais rápido é converter o PSD para PNG ou JPG. Isso pega a composição achatada e te dá uma imagem comum que qualquer um abre.
A regra por baixo de tudo isso: o PSD é o mestre, a exportação é a entrega. Exporte quantas vezes quiser; nunca substitua o PSD pela própria exportação.
Achatar um PSD e salvar por cima do original destrói o trabalho, não só a conveniência. Uma vez mescladas as camadas não há desfazer — os elementos separados somem, o texto vira pixels, os ajustes ficam assados. Um pedido de “deixa menor” é um pedido de exportar, não de achatar e salvar.
O mesmo vale no sentido inverso: converter um JPG para PSD não recria camadas. Produz um PSD com uma única camada, ou seja, um arquivo grande sem nenhuma das vantagens.