O que é um NDA? Acordo de confidencialidade explicado

Legal Oct 13, 2026 5 min read

NDA é a sigla em inglês para Non-Disclosure Agreement, que em português significa Acordo de Confidencialidade ou Acordo de Não Divulgação. É um contrato legal pelo qual uma ou mais partes se comprometem a manter em sigilo determinadas informações compartilhadas entre elas. Apesar do nome em inglês predominar no uso cotidiano — mesmo no Brasil —, o instrumento tem plena validade jurídica sob o direito brasileiro.

Para que serve um NDA?

O NDA protege informações sensíveis que precisam ser compartilhadas com terceiros, mas que não devem se tornar públicas ou chegar aos concorrentes. As situações mais comuns em que um NDA é necessário incluem:

Tipos de NDA

NDA Unilateral

Apenas uma das partes divulga informações e a outra se compromete a mantê-las em sigilo. É o tipo mais comum em contratos de trabalho e acordos com prestadores de serviço, onde a empresa compartilha informações com o colaborador, mas não o contrário.

NDA Bilateral (ou Mútuo)

Ambas as partes compartilham informações confidenciais entre si e se comprometem reciprocamente ao sigilo. Comum em negociações entre empresas de porte similar, joint ventures e parcerias de desenvolvimento conjunto.

NDA Multilateral

Envolve três ou mais partes, todas comprometidas com o sigilo das informações trocadas. Menos comum, mas usado em consórcios, projetos com múltiplos parceiros e licitações conjuntas.

O que um NDA deve conter

Para que o acordo seja juridicamente válido e eficaz, ele precisa incluir elementos essenciais:

  1. Identificação das partes: nome completo, CPF/CNPJ e endereço de todas as partes envolvidas.
  2. Definição de “informação confidencial”: quanto mais específica for essa definição, mais fácil será provar uma violação. Inclua exemplos concretos do que está sendo protegido.
  3. Obrigações das partes: o que cada parte pode e não pode fazer com as informações recebidas.
  4. Exclusões da confidencialidade: informações que já eram públicas antes do acordo ou que se tornaram públicas por meios legítimos não podem ser protegidas pelo NDA.
  5. Prazo de vigência: por quanto tempo as obrigações de confidencialidade se mantêm. Prazos de 2 a 5 anos são comuns; em alguns casos (segredos industriais), o prazo pode ser indeterminado.
  6. Penalidades pelo descumprimento: multas, indenizações e outras consequências previstas para violações do acordo.
  7. Foro e lei aplicável: qual tribunal e qual lei regerão disputas decorrentes do acordo.

NDA no direito brasileiro

No Brasil, os acordos de confidencialidade são regulados principalmente pelo Código Civil (contratos em geral) e pela Lei de Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/1996), que trata especificamente de segredos industriais e de negócio. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) também pode ser relevante quando as informações confidenciais incluem dados pessoais de terceiros.

Pontos importantes do NDA no contexto brasileiro:

O que um NDA não protege

É importante entender os limites do instrumento:

Como criar um NDA

Existem três abordagens para criar um acordo de confidencialidade:

Conclusão

O NDA é um instrumento simples, mas poderoso para proteger informações valiosas em qualquer relação comercial ou profissional. Entender o que ele cobre, o que ele não cobre e como elaborá-lo corretamente é essencial para qualquer empreendedor, gestor ou profissional que lida com informações sensíveis. Quando bem redigido, ele cria segurança jurídica para todas as partes e viabiliza colaborações que de outra forma seriam inviáveis.

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